Tabagismo: O que fazer para ajudar uma pessoa a deixar o cigarro?

O tabagismo é considerado um dos mais importantes problemas de saúde pública. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente existem mais de 1,5 bilhão de pessoas fumantes no mundo, sendo que 2/3 desta população se encontram em países em desenvolvimento. Estima-se ainda, cinco milhões de mortes anuais no mundo em consequência das doenças tabaco relacionadas e se nada for feito, por volta do ano de 2025, ocorrerão 10 milhões de mortes decorrentes do uso desta substância. No Brasil, aproximadamente um terço da população adulta fuma e segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), ocorrem 200 mil óbitos anuais relacionados ao fumo no nosso país. Entretanto, apesar destes dados alarmantes isso por si só, não gera uma motivação comportamental para o abandono  do ato de fumar. O que fazer para ajudar uma pessoa a deixar o cigarro? Para que se obtenha sucesso na abordagem do fumante é necessário que se entenda o estado de dependência da nicotina, os estágios de mudança de comportamento do fumante e tome por base a realidade e as especificidades de cada paciente, tratando-o como tentam em média 3 a 5 vezes antes de para definitivamente, por isso o profissional de saúde enxerga o tabagismo como uma doença crônica onde recidivas e remissões podem ocorrer, mas nunca devemos desistir dos nossos pacientes.

O tabagismo é um comportamento complexo que envolve estímulos ambientais, hábitos sociais, condicionamentos psicossociais e ações biológicas na nicotina no Sistema Nervoso Central (SNC). Cerca de 80% dos fumantes desejam parar de fumar, porém apenas 3% o conseguem sem ajuda. O restante necessita de apoio para obter êxito, evidenciando a importância da abordagem rotineira dos fumantes não devendo se restringir a casos isolados nos consultórios, mas na implantação de políticas públicas de prevenção, controle e acompanhamento dos indivíduos fumantes.

A dependência da nicotina conta três componentes básicos: dependência física, responsável pelos sintomas da síndrome de abstinência quando de deixa de fumar; dependência psicológica, responsável peã sensação de ter no cigarro um apoio ou um mecanismo de adaptação, pressões sociais entre outros e o condicionamento, representado por associações habituais com o fumar (fumar com tomar café e/ ou bebidas alcoólicas, dirigir após refeições entre outras). Considerando o estado de dependência através de uma avaliação qualitativa e quantitativa podemos mensurar o grau de dependência e motivação para cessação do tabagismo. A partir de então, fazemos uma abordagem cognitiva comportamental detectando toda e qualquer situação de risco que leva o indivíduo a fumar, desenvolvendo estratégias de enfrentamento destas situações. Em casos específicos, de forma segura e eficaz, oferecemos ainda a terapia medicamentosa que aumenta adesão ao tratamento, minimiza os efeitos  da abstinência e faz com que o indivíduo alcance maior sucesso para deixar de fumar.

Portanto, a melhor coisa que você pode fazer para sua saúde é parar de fumar o mais rápido possível. Se você está pronto para tentar, não perca tempo, acerte o dia “D”, PARE DE FUMAR  e procure ajuda. Se você ainda não se sente preparado, busque mais informações, tire suas dúvidas com um profissional, reflita e lembre-se sua mudança de comportamento pode acontecer a qualquer momento. Dessa forma, os grandes avanços na área de cessação de tabagismo nos últimos anos, hoje estão cada vez mais disponíveis aos fumantes e para toda pessoa que têm o interesse em deixar facilidade se estivermos comprometidos com esta ação.

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